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sábado, 14 de outubro de 2017

Entrevista - COJAA




Para iniciarmos, conte nós um pouco sobre seus projetos e suas vertentes, hoje em dia você possui apenas o Cojaa?

Bom, sempre me interessei por musica extrema, claro que como todo mundo ouço algumas coisas "mela cueca" mas meu foco sempre foi o barulho, quando comecei a produzir meus sons, criei um projeto chamado Booba, era mais como uma montagem de sons meio sem pretensões, em pouco tempo comecei a fazer meus sons com o COJAA ue acabou seguindo algumas linhas diferentes do noise, mas sempre com uma certa coerência, por um tempo curto tentei manter um outro projeto chamado Trend's Cannibals que tentava ser um "dance noise"! A um tempo atrás criei o InDehcoroso, um projeto de cyberGrind e hoje mantenho apenas ele e o COJAA!

Qual suas influências para manter sua linha de som? Você vêm de bandas pós-adolescência (Luigi is Dead), Como chegou até o barulho extremo?


Falei um pouco sobre isso quando lancei meu ultimo trabalho com o COJAA, no início comecei a fazer meus sons e era muito influenciado por projetos como o CaféNoise e Pinto Sujo, ouvia muito Barney e logo no começo ainda o God Pussy me influenciou muito, tanto em som, quanto em capas, divulgação e essas coisas, hoje em dia não consigo citar projetos ou bandas que INFLUENCIAM mesmo, mas tem o Subcut e o JAKA que me inspiram bastante tanto no COJAA quanto no InDehcoroso, se bem que como provavelmente para todos os noisemakers qualquer ruído me da uma luz para fazer uma track nova! Na minha via inteira tive duas bandas físicas, a primeira não tem registros, tinha apenas em VHS, mas foram perdidos, era uma banda de Punk/Grind, era apenas eu no vocal e meu primo na guitarra e anos luz depois a Luigi Is Dead, sendo que apenas na primeira fazia o que realmente gostava, já na LID fazia som pra tentar vender, mesmo que acabava sempre tocando em troca de bebida kkkk!

Quando rolou o primeiro contato com NOISE no geral, você embarcou de início ou entrou por curiosidade?

Curioso que desde o ano passado me sinto como no início, meu primeiro contato foi com alguns splits dos grupos que citei acima, tinha um computador movido a lenha, uma guitarra tonante velha e um microfone de computador, ouvi os sons e pensei “caralho, como se faz isso?” No mesmo dia pesquisei, baixei o que deu de programas pro computador e comecei na mesma noite (horas pra baixar o Audacity) já fui atrás de comunidades no Orkut, fui acolhido pelo Clubinho do Noise e END OF MY LIFE!

Notável que você é body modification, a sociedade doentia te olha atravessado? quando início seu gosto e participação para essa arte extrema corporal?

Me olham atravessado? hahaha, as pessoas nem imaginam como é, sou maltratado até por alguns médicos por ser modificado, a maioria das pessoas não me respeitam nem dentro de uma farmácia, são perguntas repetitivas e ofensivas, gritos e xingamentos em Shoppings lotados, ônibus e até interromper consultas para me criticar já interromperam! Comecei na BodyMod com 13 anos, fiz minhas primeiras perfurações em casa, apanhei pra caralho, claro kkk e logo depois já comecei a fazer um curso de piercer e trabalhar em um estúdio e estou nessa até hoje, mas apenas dando cursos de piercing básico e avançado! Quanto ao preconceito e todas as dificuldades, pouco me importam!


Existem projetos futuros? Quais ás idéias perturbadoras passando nessa cabecinha de vento??

Legal essa pergunta, tu adivinhou não foi miguxo? Kkkk! Como você sabe (Porque está junto nessa) estou na organização de uma coletânea, o “OrkutWay – Fuck Facebook” então estou ressuscitado o Booba, mas só pra coletânea mesmo e ontem resolvi criar outro projeto, coisa que não ando vendo muito por ai, um PornNoise chamado PORNOPHOBIA que vai misturar noise, cybergrind e “tunt’s tunt’s kkk, além desse projeto novo que vai sair estou trabalhando na idéia de um selo meu, principalmente dedicado a noisemakers ansiosos como eu!

Do nada acordou e iniciou-se o trabalho com selo virtual, O que levou a montar este selo?

Cara, eu tinha vontade de montar um selo ou um blog sobre musica extrema a muito tempo, a idéia de um selo foi se desenvolvendo, mas a princípio eu pensava mesmo em fazer algo para compartilhar bandas que quase não se acha para fazer download! A idéia de um selo mesmo acabou acontecendo por eu não concordar com a idéia de selo convencional que temos na cena, sei que sou meio ansioso, mas nunca entendi esse quase que "estrelismo" de ficar segurando álbuns como se fossem a Som Livre, era tudo muito demorado, tanto que muitos álbuns meus que foram lançados perderam a essência pela demora para lançar, então eu quis montar meu próprio selo e mostrar que podemos fazer algo legal e organizado de maneira mais ágil e dinâmica!

Qual tua ideia sobre artista noise ou músico noise, possui opinião sobre isso, passe SUA visão??

Minha opinião sobre isso talvez seja considerada meio "inocente" ou seja lá como pode ser rotulada, mas tenho uma idéia geral meio antiga sobre isso! Eu costumava dizer que preferia ir em festas de forró do que musica extrema, porque quando você vai a um show de forró vê todo mundo feliz, dando risada e dançando, realmente se divertindo e prestigiando o artista no palco, já em festas de musica extrema não, você se depara com um monte de gente com a cara fechada, de braços cruzados, ninguém dá valor ao artista, parece que ninguém nem queria mesmo estar lá e o noise é isso! Antes, os lançamentos tanto solo quanto split's e compilações eram frenéticos, todo mundo queria lançar com todo mundo, mais gente ouvia e comentava os trabalhos, tanto em questão de (não)musica como na arte! Um artista noise pra mim deveria ser alguém que primeiramente tem vontade de acabar com essa máfia musical que existe, que quer ir além, que mostra ou deveria mostrar interesse em fazer a cena evoluir já que o noise (Pelo menos pra mim) está presente em tudo a todo momento, não digo que é algo fácil de se fazer como muitos pensam, mas também não é uma sinfonia de Bethoven como muitos tratam hoje em dia, tem noise maker se achando o Deus da cena, empina o nariz e não ouve, não comenta, não ajuda em nada os outros e com isso a si mesmo também, contudo, o noise sempre foi uma cena morta, mas agora é uma cena pseudo chique sendo velada com toda a frescura do mundo!


Agradeço imensamente pelo interesse e por ceder uma entrevista para a página da Dissonance from hell! Deixe sua mensagem e agradecimentos.

Eu que agradeço mano, pela oportunidade e pela amizade de sempre apesar de que tu sabe que sou fake e você está entrevistando tipo um amigo imaginário! E agradeço também porque nesses, sei lá, 10 anos de barulho nunca havia sido entrevistado kkkkkk! Agradeço muito aos amigos do antigo Clubinho que me ajudaram e ajudam muito até hoje, ao Na Cara e Coragem Produções que sempre está lado a lado com meus projetos, ao Plataforma Records que também sempre me deu uma força incrível e a todos que me ajudaram a lançar meus materiais e que esqueço os nomes, todos que colaborei em coletâneas e splits! Minha mensagem é WEEDNOISELOVE4EVER FUCKTHEMUSICANDTHEWOLRD!

Noise Rítmico ou JunkiePlugs? NÃO SEI A DIFERENÇA, NÃO MANJO DE SIGLAS, ETC.
Analógico ou Digital? SABENDO USAR, QUALQUER UM
Materiais físicos ou Netlabel? APESAR DE EU NÃO TER MAIS NENHUM, FÍSICO
Sertanejo clássico ou Sertanejo universitário? DEPOIS DO NOISE ESSE PRECONCEITO COM ESTILO ACABA
Split ou Álbuns Solo? SPLIT
Policia ou Ladrão? LADRÃO

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Medula - Coletivo

  • além das performances ao vivo, as produções da medula
    tem sido publicadas na internet como discos virtuais.
    para os lançamentos tem sido realizadas parceria com
    selos que se dedicam a formas diversas de música
    experimental, incluindo eletrônica, improvisação livre,
    ruído e paisagem sonora. optamos por divulgar os
    trabalhos em forma de um fluxo de lançamentos, cada
    um como uma janela, um detalhe de um todo em
    construção contínua. os processos da medula
    são múltiplos, cheios de terminações que se conectam e
    realimentam, simultâneos.
    de outubro de 2016 a abril de 2017 foram quatro
    lançamentos no âmbito específico da produção sonora
    do coletivo. colocamos aqui algumas considerações a
    respeito de cada um, mostrando um panorama que
    aponta um pouco para cada direção para onde olhamos.
    A medula cria no campo das poéticas do sonoro.
    a imagem da medula remete a uma
    ligação entre o material e imaterial, do físico
    ao psíquico, o que está dentro ou por trás da
    forma externa. a produção do grupo consiste
    em trabalhos artísticos que discutem ou se
    utilizam de sobreposições e atravessamentos
    das fronteiras dos campos disciplinares. inclui
    trabalhos de música, arte sonora e artes
    visuais – de uma forma que, em muitos
    momentos, não se saiba dizer exatamente
    onde uma coisa começa e outra acaba.
    .
  • lusque-fusque
    lançado pelo selo italiano Electronicgirls
    em setembro de 2016 durante o festival
    Electro Camp em Veneza
    canções, vídeos, performances, gravações.
    no processo são utilizados
    materiais pré-compostos, improvisações e
    processamentos, combinando fontes sonoras
    acústicas e eletroacústicas (vozes, baixo e guitarra,
    sampler e sintetizadores, live electronics,
    indeterminação, ruídos) e imagens. no show, os
    vídeos aparecem projetados de diversas formas
    no espaço, sendo um elemento igualmente
    constitutivo da experiência. um território entre
    música popular experimental e vídeo performance.
    mar de tralhas
    lançado pelo selo brasileiro Al Sand Rec
    em março de 2017
    registro da performance realizada no Jazz No Hope
    em 14/10/2016. um punhado de traquitanas
    tecnológicas, alguns instrumentos acústicos, ideias
    semi-estruturadas e improvisação. ondas de sons e
    suas referências. muitas coisas no palco. quase mais
    tempo pra montar e desmontar
    do que pra tocar o show
    https://alsand-rec.bandcamp.com/album/asr16-mar-de-tralhas
    http://electronicgirlslabel.weebly.com/releases.html
    vídeos:
    https://www.youtube.com/playlist?list=PLqFPw81-xsnSPwB3_xfjDe64eAxmUMmw7
  • betamaxers – lançado pelo selo peruano Chip Musik
    em abril de 2017
    betamaxers tem como moldura simbólica uma possível crítica a algumas práticas
    musicológicas a partir da criação de um futuro fictício em que pesquisadorxs
    investigam a música de hoje. a premissa é que se hoje se constroem certezas a
    respeito da música do passado baseadas em dados imprecisos e parciais filtrados
    por um processo que não é nada neutro, então as certezas construídas no futuro
    sobre a música de hoje serão resultado de imprecisões acumuladas conduzindo a
    incongruências absurdas. uma dupla de Musikéllogs, pesquisadorxs do futuro, tem
    certeza que conseguiu compreender a música e a linguagem do brasil de hoje e
    publicou uma tese de doutorado, o que no futuro terá o
    tamanho de postagens de rede social, que consiste em
    uma gravação e um texto que supõem ser recriação
    historicamente informada sobre as pessoas e a música
    do começo do século XXI (uma espécie de novela de
    época). acreditam que neste período viviam os
    Betamaxers, pessoas que habitavam casas tupperware,
    se alimentavam de gengibre e ouviam música
    eletrônica algorítmica e barulhenta o tempo todo. para
    assinar o trabalho, adotam nomes típicos deste tempo
    que escolhem a partir da sua pesquisa:
    Edit Post & Save Draft.
    https://chipmusik.bandcamp.com/album/edit-post-save-draft-chmr-cd-030
    caos.
    impertinência.
    nomadismo disruptivo.
    uma única faixa de 30 minutos criada a partir de
    improvisações sobre sintetizadores e voz transformada,
    depois combinados, estruturados e remontados.
    apresenta três momentos que são algo distintos mas
    não detem o fluxo dos processos. na esteira da
    impermanência e das múltiplas vozes, não pretende
    descanso
    ou trégua.
    https://mansardarecords.wordpress.com/2017/04/20/msrcd075-isabel-nogueira-meteoro-phoenix/
    meteoro-phoenix – lançado pelo selo brasileiro Mansarda Records
    em abril de 2017
  • participantes:
    andré brasil
    bê smidt
    carlos ferreira
    chico machado
    francisco eschiletti
    isabel nogueira
    luciano zanatta
    nikolas gomes
    ricardo de carli
    zazá
    contatos:
    facebook.com/medulasonora/
    medulasonora@gmail.com