sábado, 13 de maio de 2017

Entrevista - Petter Baiestorf


O QUE TE MOTIVOU A FAZER FILMES E FANZINE ?
Baiestorf: Acho que a falta do que fazer em Palmitos/SC e a, principalmente, a falta de material que eu curtia, como quadrinhos de horror e bandas mais extremas. Em 1986 tomei contato com o punk e o metal, aí logo em seguida consegui LP do English Dogs e, uns anos depois (porque tudo tinha um ritmo mais devagar) consegui sons de bandas como Impetigo, extreme Noise Terror, Carcass, etc. Isso tudo me fez querer produzir, inicialmente, contos e roteiros para quadrinhos e fui fazendo do jeito que conseguia. Aí lá pelo início dos anos 90 comecei a matutar a idéia de fazer meus próprios fanzines e, pegando uma câmera de VHS, meus filmes. E tomei gosto pela coisa e fiquei produzindo de forma independente até os dias de hoje. Venho de um tempo em que se tu não achava o que te agradava, tu pegava e produzia.

O QUE ACHA DA CENA HOJE EM DIA E O QUE MOTIVA A CONTINUAR NO UNDERGROUND ?
Baiestorf: Não queria reclamar, porque acho que todos os meios de produção e divulgação são válidos. Mas o que tenho percebido nos dias de hoje é que pessoal está deixando que as redes sociais tomem todo seu tempo livre e, por isso, acabam produzindo menos. Acho que o pessoal ainda precisa descobrir que redes sociais são apenas uma, de tantas outras, ferramenta pra divulgar seu trabalho. Tô com 25 anos de produção nas costas, já poderia ter “saído” da dita “cena underground” e produzir com dinheiro estatal, mas não quis, foi uma opção consciente me manter independente. Nos dias de hoje não concedo mais entrevistas pra grandes veículos (tipo TV Globo, Record, Band ou SBT). Enfim, se manter um pouco radical me mantêm vivo na produção.

QUAIS TUAS INFLUENCIAS DE DIRETOR E QUAL TEUS ESCRITORES FAVORITOS ?
Baiestorf: Meio difícil de responder isso já que leio e vejo de tudo, todos os estilos. Literatura não tenho preferidos, sou leitor fanático e estou sempre em busca de informações, principalmente livros históricos (de preferência escritos por historiadores libertários) e biografias. Pra cinema tenho preferência por produções independentes e/ou livres, cinema experimental ou surrealista. Citaria diretores como George Kuchar, Christoph Schlinsensief, Dusan Makavejev, Jesus Franco, Koji Wakamatsu e tantos outros com essa pegada mais debochada. John Waters em início de carreira fazia uns filmaços. Aqui do Brasil sou muito fã de caras como Ozualdo Candeias, Edgar Navarro, Andrea Tonnacci, Sganzerla e Brassane, passando por Tony Vieira, Oswaldo de Oliveira e Fauzi Mansur. O modelo de cinema produzido na região da Boca do Lixo também me agrada muito. Pra produzir um filme eu bebo de tudo que é gênero e experiências, aí boto misturado com minha bagagem cultural cigana e tento vomitar a produção com um estilo bem próprio.  Mas não curto parar de procurar artes diferentes, principalmente de países africanos, asiáticos e outros lugares nunca lembrados quando se fala em produção cinematográfica. Curto descobrir coisas por conta.

PRETENDE FAZER MAIS FILMES ?
Baiestorf: Sim. Pra 2017 deverei trabalhar de ator em 2 filmes (um em São Paulo e outro no Espírito Santo). E escrever um livros dos bastidores da Canibal Filmes. Por enquanto estou sem dinheiro pra iniciar uma nova produção, mas estou com 4 idéias já desenvolvidas e, com certeza, farei (ou tentarei fazer) uma delas. As 4 são bem diferentes entre si, uma é um curta surrealista, outra um ultra gore de humor negro, outra uma comédia de Black metal e outra um sexploitation homossexual. Por enquanto vou ficar escrevendo que é algo possível de se fazer sem gastar nada.

INDIQUE ALGUNS FILME OU LIVRO 
Baiestorf: Vamos lá, 5 de cada. Livros: “Quando Teresa brigou com Deus” (Jodorowsky), “Cantos de Outono” (Ruy Câmara), “Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood” (Peter Biskind), “Educação de um Bandido” (Edward Bunker) e “Cinema de Invenção” (Jairo Ferreira). Filmes: “United Trash” (Christoph Schlingensief), “Je T’Aime moi non Plus/Paixão Selvagem” (Serge Gainsbourg), “Jubilee/Magnicídio “ (Derek Jarman), “Liquid Sky” (Slava Tsukerman) e “Walker” (Alex Cox).

CONSIDERAÇÕES FINAIS FALE  O QUE QUISER
Baiestorf: Valeu pelo espaço Jonas. Só posso dizer: Tente produzir. E faça aquilo que te agrada, mesmo que mais ninguém irá se importar.

Entrevista realizada por Tosco Zine.

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